De forma inédita, entidades e organizações da sociedade civil, movimentos, coletivos, pesquisadores e ambientalistas foram os primeiros a falar no evento de campanha eleitoral “Compromisso pelo Clima e Meio Ambiente”, realizado nesta quarta-feira (2), no auditório da Fetraconspar, em Curitiba, e organizado por Goura (12108), candidato à reeleição para deputado estadual, Requião Filho (12), candidato a governador, Gleisi Hoffmann (131) e Dr. Rosinha (132), candidatos ao Senado.
“Convocamos as entidades ambientalistas de diversas áreas para apresentar os seus pontos, os seus compromissos e as suas demandas”, disse Goura ao abrir o evento, que contou com dezenas de entidades e ambientalistas.
“Essas entidades esperam de nós, daqueles que já exercem o mandato e dos futuros mandatários e mandatárias, que se cumpram esses compromissos e que sejamos vozes efetivas da luta pelo meio ambiente na Assembleia Legislativa, no Congresso Nacional, no Governo do Paraná e no Senado”, destacou o deputado candidato à reeleição.

Goura: Transformar demandas em compromissos
Goura explicou que a proposta do encontro foi construir, com quem está na linha de frente das lutas ambientais, e transformar essas demandas em compromissos concretos para os próximos mandatos.
“Como diz o artigo 225 da nossa Constituição, que o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado é um direito das presentes e das futuras gerações. Viva o meio ambiente do estado do Paraná, viva a luta pelo meio ambiente, viva a luta pelas florestas e pelos rios”, disse.
Entidades representativas presentes
Treze lideranças representaram entidades e movimentos socioambientais no evento “Compromisso pelo Clima e Meio Ambiente”, com atuações que abrangeram da justiça climática e direitos humanos à preservação de áreas naturais e gestão de resíduos.
O debate começou com a intervenção de Ricardo Laurino, da Sociedade Vegetariana Brasileira, e com as demandas urbanas e a conservação nas cidades, defendidas por Cauê Bueno Marques, da Rede Curitiba Climática, Verônica Rodrigues, do movimento SOS Arthur Bernardes, e Flávia Sotto Maior, do Paraná Lixo Zero.
A proteção a ecossistemas, ao patrimônio natural e a áreas protegidas reuniu Angela Kuczak, da Rede Nacional Pró Unidades de Conservação, André Caxeiro, da Federação Paranaense de Montanhismo, Savério Ronchi Junior, do Grupo de Estudos Espeleológicos do Paraná (Geep Açungui), e Barbara Gabriele de Souza Nogueira, do Corpo de Socorro em Montanha (COSMO).
Em seguida, a pauta dos direitos coletivos e da questão agrária foi apresentada por Darci Frigo, da Terra de Direitos, e por Roberto Baggio, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
O enfrentamento ao racismo ambiental nas periferias de Curitiba foi apresentado por Rafaella Ferreira Cicarelli (MC Cicca), do projeto Hip-Hop e Educação Socioambiental Cêntrica Antirracista, em bloco que contou também com a participação de Edite Faganello, do Instituto Nhandecy.
Militância histórica
A dimensão histórica da militância ecológica no estado foi sintetizada na intervenção de Maude Nanci, do Centro de Pesquisa Comunitário Divisor de Águas. Aos 72 anos de idade e com 50 anos dedicados à causa ambiental, ela representou a trajetória das lutas socioambientais no Paraná.
“A nossa proposta é resgatar a iniciativa dos “Corredores de Biodiversidade”, atualizada a partir do modelo de mosaicos do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), e avançar para a criação de mosaicos sociobioculturais, integrando as áreas protegidas aos povos e territórios tradicionais”, destacou Maude.
Requião Filho: mudar o modelo econômico
O candidato a governador Requião Filho (12) criticou a lógica do modelo econômico que enxerga a natureza apenas como força produtiva e já cobra fatura direta na mesa do trabalhador, com eventos climáticos severos, quebra de safra e desabastecimento.
“A tese de que ‘é preciso destruir para evoluir’ se contrapõe à até onde a gente pode desmatar, a gente pode desviar, a gente pode interferir sem que a gente pague o preço?”, afirmou.
Segundo ele, a alteração do equilíbrio climático regional foi apontada como consequência imediata dessa ocupação desordenada da terra, gerando impactos severos na produção agrícola e no abastecimento alimentar.
“Nós desmatamos para plantar, porque essa era a solução, esse era o acaso, essa era a ordem e esse era o conhecimento que tínhamos como sociedade. E, de repente, o Paraná virou um corredor de furacões. O Rio Grande do Sul alagou. Os Estados Unidos passaram por secas que ele nunca tinha visto antes. E o campo sofreu. E se o campo sofre, nós passamos fome”, advertiu Requião Filho.
Ao encerrar o pronunciamento, o candidato formalizou o compromisso com a pauta apresentada pelas entidades e pediu foco na mobilização digital em vez do gasto excessivo de material impresso. “Vocês têm de nós todos aqui esse compromisso. Eu só não vou virar vegetariano porque não consigo abrir mão do meu churrasco. Mas o resto, contem comigo. Obrigado, gente”, concluiu.
Gleisi: causa ambiental é política
A candidata ao Senado Gleisi Hoffmann disse que a causa ambiental é indissociável da disputa política e da justiça econômica e convocou a militância socioambiental, a 30 dias da eleição, a priorizar a derrota da extrema-direita nas urnas para blindar as conquistas climáticas e frear novos retrocessos no país.
“Acompanhei as intervenções sobre os compromissos e desafios colocados. A causa ambiental não está dissociada da disputa política, da justiça econômica e da construção de uma sociedade equitativa”, declarou.
Segundo ela, foi um período complexo de negacionismo ambiental, que se articulou ao negacionismo sanitário, político e de direitos civis. E que esse ciclo de retrocessos se acelerou a partir da eleição de 2018.
“Com a posse de Jair Bolsonaro na Presidência da República, momento em que as salvaguardas institucionais foram rompidas sob a lógica da desregulamentação total do “passar a boiada” tivemos impactos diretos no meio ambiente e em outras áreas fundamentais”, afirmou Gleisi.
“Estamos diante de uma encruzilhada histórica. A vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2022, recolocou a pauta ambiental no centro das decisões governamentais”, disse.
Gleisi disse que o risco iminente é a interrupção dessa trajetória por meio de uma nova gestão que retome o desmonte socioambiental. E que a tarefa imediata é dupla: avançar nas demandas sociais e manter a resistência para barrar retrocessos.
“Restam 30 dias para as eleições que definirão a Presidência da República, o Governo do Paraná e os rumos institucionais do país. A prioridade tática para este campo é a mobilização total neste período para impedir a vitória da extrema-direita”, alertou.
A deputada lembrou o compromisso programático e que a disputa colocada exige mobilização direta de todos os setores comprometidos com a transformação social e a sustentabilidade.
“A tarefa tática imediata é a vitória no dia da eleição, assegurando que não haverá retrocesso político no país e mantendo as condições institucionais para seguir avançando”, convocou.
Dr. Rosinha: regulamentar plebiscitos e referendos
O candidato ao Senado Dr. Rosinha (132) propôs regulamentar o artigo 14 da Constituição para tornar obrigatórios plebiscitos e referendos antes de qualquer liberação de grande impacto ambiental pelo Estado.
“O objetivo é impedir a entrega de recursos naturais e territórios à revelia da sociedade: Fazem concessões de áreas enormes para a mineração que vão destruir toda uma área geográfica, geológica, ambiental, tudo, sem a mínima participação da população”, afirmou.
Enfrentar a emergência climática
Goura alertou que estamos vivenciando um momento único da história, talvez um momento de mudanças muito profundas no nosso planeta. E que são consequências de ações causadas pela humanidade.
“Ao contrário do que dizem alguns, as mudanças climáticas são reais e nós precisamos, sim, de políticas públicas para o real enfrentamento a essas mudanças. Não é somente, lógico, com saneamento básico que a gente vai resolver o problema das mudanças climáticas”, criticou.
Goura lembrou que se está falando de problemas extremamente complexos e não serão resolvidos de forma simples. “Precisamos juntar todos os esforços do Poder Legislativo, do Poder Executivo, do Poder Judiciário, da sociedade civil como um todo, para que possamos estar à altura desses desafios.”
CANDIDATOS PARTICIPANTES
O grupo de candidaturas do PDT reuniu Roberto Requião (1212), Laís Leão (1234), Lu Ferreira (1222), Fábio Gaspar (1220), Dani Biondo (1223), Jeane (1221), Diego Werner (1256) e Bernadete Brandão (1208).
Representando os demais partidos do campo progressista, participaram Marlei Fernandes (1330 – PT), Ualid Rabah (1322 – PT), Eduardo Reiner (1367 – PT), Camilla Gonda (4000 – PSB), Lucas Siqueira (4010 – PSB) e Amábile (6565 – PCdoB).
LEIA ABAIXO AS CARTAS-COMPROMISSO CLICANDO NOS TÍTULOS:
Reivindica a gestão pública eficiente dos parques estaduais da Serra do Mar, preservação de mananciais e suporte estrutural ao socorro voluntário em montanha.
Exige proteção jurídica contra retrocessos ambientais, incentivo à pesquisa cárstica e rigor na fiscalização do licenciamento em áreas de cavernas.
INSTITUTO LIXO ZERO BRASIL: CARTA COMPROMISSO – REPRESENTA LIXO ZERO
Fixa regras de sustentabilidade para material e eventos de campanha eleitoral e compromissos parlamentares com reciclagem, compostagem e logística reversa.
Propõe a incorporação do princípio jurídico da Natureza como sujeito de direitos em planos de governo, legislações e políticas públicas.
Apresenta agenda para soberania alimentar, reforma agrária popular, restrição severa de agrotóxicos e enfrentamento do modelo agroindustrial.
REDE PRÓ-UC: CARTA DE COMPROMISSO PELA BIODIVERSIDADE E PELO FUTURO DO PARANÁ
Demanda a expansão, regularização fundiária e financiamento permanente de Unidades de Conservação de Proteção Integral pelo governo estadual.
REDE GRANDE RESERVA MATA ATLÂNTICA: PROPOSTA DE COMPROMISSOS ÀS PREFEITURAS DOS 60 MUNICÍPIOS
Propõe cooperação intermunicipal para alavancar turismo sustentável, fortalecimento de secretarias ambientais e conservação do contínuo de Mata Atlântica.
Apresenta modelo econômico de conservação baseado em pagamento por serviços ambientais, proteção de bacias hidrográficas e atração de negócios verdes.
Reúne 16 diretrizes de proteção animal, destacando criação do SUS Animal, proibição de tração animal e estímulo tributário à alimentação de base vegetal.
REDE CURITIBA CLIMÁTICA (RECC): CARTA COMPROMISSO
Reúne demandas populares construídas para o Plano Diretor em temas de moradia digna, transporte coletivo com tarifa zero, despoluição de rios e áreas verdes.


